domingo, 9 de setembro de 2012

Homenagem ao Profeta do semiárido - D. José Rodrigues

09/09
domingo
Espaço do Leitor às 20:33
Artigo - Morreu o profeta do semiárido.




Roberto Malvezzi (Gogó)



D. José José Rodrigues foi o homem certo, no lugar certo,
na hora certa. Quando chegou a Juazeiro para ser bispo,
a barragem de Sobradinho estava em construção. Então,
ele assumiu a sorte dos relocados, depois dos pobres em
geral e nunca mudou. Chegou em 1975.
Aqui era área de segurança nacional, regime militar, ACM
governador, prefeitos nomeados pelo presidente da
república. Não havia partidos, nem organizações populares.
 Então, com poucos padres e religiosas, chamou leigos
para apoiar os 72 mi relocados. Assim, a diocese foi
durante muito tempo o abrigo para cristãos, comunistas,
ateus, qualquer um que movido pela justiça assumisse a
causa do povo.
Depois enfrentou o período das longas secas. Criou pastorais
populares. Fez o opção radical pelos pobres e comunidades
eclesiais de base. Usava as rádios e seu poder de comunicação
para defender os oprimidos pelo peso dos coronéis e do regime
militar.
Quando um gerente do Banco do Brasil foi seqüestrado,
ele aceitou ser trocado. Ficou sob a mira dos revólveres por
dias, começando sobre a ponte que liga Juazeiro a Petrolina.
 Depois visitou seus seqüestradores na cadeia e ainda fez
o casamento de um deles.
Abrigou na diocese toda convivência com o semiárido, muito
 lembrado nesses tempos de estiagem. Por isso, quando a ASA
 fez um de seus encontros nacionais, quis fazê-lo em
Juazeiro para homenagear esse profeta do semiárido.
Costumava contar que recebeu muitos presentes quando
 chegou e foi reverenciado pela elite. No terceiro ano ganhou
três camisas. No quinto ano ganhou de presente uma única
camisa dada por uma prostituta que freqüentava a escola
Senhor do Bonfim, trabalho feito junto às prostitutas da cidade.
Quando foi embora saiu com toda a mudança que trouxe: uma
mala que cabia uma muda de roupas – que ele lavava todas
 as noites para vestir no dia seguinte – e seu livro de oração.
Na celebração de despedida afirmou na catedral: “nunca trai
 os pobres, nem em época de eleição”.
D. José faleceu nessa madrugada, dia 9 de Setembro, em
Goiânia, comunidade redentorista de Trindade, para onde foi
 depois de 28 anos em Juazeiro.
Seu corpo será transladado para Juazeiro na segunda-feira,
 onde será enterrado. Aqui, sua memória jamais será esquecida
 por aqueles que com ele conviveram, sobretudo, pelos em
 situação de pobreza, nos corações dos quais ele reside.

Postado por Cida Nunes.